quarta-feira, julho 01, 2009

Onde MJ morreu primeiro?

A quem todo mundo recorreu pra saber se Michael Jackson tinha mesmo morrido? Se respondeu Twitter, vc está errado. A informação pode até ter se disseminado pela rede social mais buzzada do mundo, mas só se tornou, vamos dizer, válida, depois que um site relativamente novo - o TMZ -, mas que tem métodos de apuração do chamado 'velho jornalismo', a bancou.

Nem só isso. Muita gente - mas muita mesmo - não confiou na notícia do TMZ. Sabe como é: a reputação de site de fococas não é boa, afinal "publicam qualquer boato". Por mais que, nessa hora, um mundo de pessoas já passava a informação pra frente, via Twitter, a notícia só foi aceita por unanimidade depois que veio de veículos como CNN ou LA Times.

Harvey Levin, editor do TMZ: ele e cada integrante de sua equipe fizeram e receberam 100 ligações de telefone. “Não teríamos publicado se não fosse verdade”, disse ao LA Times. (via Tiago Dória)

Não quero dizer aqui que as novas mídias são menos eficazes que as velhas (esse tipo de comparação nem é mais cabível, à medida em que tudo se mistura). Mas ainda não chegamos a um ponto em que toda a informação que queremos é obtida 'socialmente'. Na hora que precisamos de confirmação e as chamadas 'fontes oficiais' ainda não se manifestaram, nada como a segurança dos meios tradicionais.

Podia discorrer aqui por mais alguns parágrafos sobre a crescente dependência do jornalismo (o tradicional inclusive) pelas 'fontes oficiais'. Mas deixo isso pra outro momento.

sábado, outubro 04, 2008

Isenção eleitoral obrigatória

Em véspera de eleições, o debate sobre a liberdade de imprensa continua. Já postei sobre isso há bem pouco tempo, mas não posso deixar de continuar postando a respeito, à medida que novas declarações vão surgindo, tanto na hipocrisia daqui, como nos escancarados Estados Unidos, onde até Homer Simpson já declarou seu voto. Sim, lá atores, personagens e, acreditem, até imprensa declaram apoio a quem quiserem. Sem por isso sofrerem censura oficial. Enquanto isso, por aqui o debate beira o nonsense. No Consultor Jurídico, há gente argumentando a favor da isenção forçada da nossa imprensa:

Ao explicar sobre as restrições impostas pela Lei Eleitoral, Ventura afirma que as emissoras de rádio e TV têm de ser “totalmente imparciais” ao tratar os candidatos. Isso porque, afirma, são veículos que exercem grande influência junto ao público. “Uma coisa é São Paulo e Rio. Outra coisa são pequenas emissoras que atuam no interior, em cidades pequenas”, afirma. Ventura lembra, ainda, que muitos políticos detêm concessões de rádio e TV. Com as restrições, explica, pretende-se evitar manipulações.
Que me desculpe o senhor Renato Ventura, advogado especialista em Direito Eleitoral, mas o comentário dele é infeliz. Primeiro, ao subestimar a inteligência de eleitores do interior. Sim, no interior os jornais estão infestados de influência política. Mas nas grandes capitais, a coisa não difere tanto assim. Jornais de bairro fazem trabalho bastante semelhante, senão ainda mais escancarado. Para mim, esse tipo de pensamento - que por sinal é o que impera na justiça eleitoral - é o que mais ajuda a impedir o amadurecimento político da população. O que precisamos mesmo é perder o medo da abertura total quando o assunto é voto.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Lessig no Brasil

Uma curta, mas interessante entrevista da Folha com Lawrence Lessig, o cara que basicamente inventou a licença Creative Commons, que pra mim - e muitos outros - é o futuro dos direitos autorais na internet.

Já aprendi muito com críticos meus, como Jack Valenti, chefe da Motion Picture Association [a associação dos estúdios de cinema], uma das pessoas a quem dediquei meu último livro, "Remix". Nós tivemos ao menos cinco conversas, e havia um tema que lhe era caro: as conseqüências que haveria para a geração de garotos que está crescendo levando a vida fora da lei [no que tange aos direitos autorais]. Achava isso bobagem, mas percebi que estava certo, e meu livro começa dizendo isso, que o grande problema é a criminalização dessa geração. É claro que discordamos quanto à solução: ele defende uma guerra mais eficiente contra nossas crianças, e eu espero que encontremos um sistema em que elas não sejam consideradas piratas.
A propósito: Remix é o novo livro do cara, que deve sair no fim do mês. Há outros já publicados por ele para download aqui. Recomendo o Free Culture. Lessig esteve no Brasil esta semana para falar sobre o tema do novo livro.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Fonte 12 nos contratos

Ando vendo bastante gente preocupada com a tal lei que exigiu que os contratos agora tenham letras em tamanho 12. Em tempo: assim como o pessoal do blog Advogado de Defesa, acho esse dispositivo desnecessário, inútil mesmo. Já havia, no Código de Defesa do Consumidor, artigo - revogado pela nova lei do Paulo Paim - dizendo que os caracteres tinham que ser ostensivos e legíveis. E os tribunais vinham decidindo de forma adequada a respeito. Mas muitos - o mesmo blog, inclusive - criticam, também, a lei, porque diz que o tamanho 12 de uma fonte pode ser diferente do tamanho 12 de outra. O que mostra, é verdade, que a lei não foi tão esclarecedora assim. Mas duas coisas estão sendo esquecidas aqui: Primeiro, como bem lembrado pelo Augusto Campos no Efetividade.net, tamanho de fonte é algo muito mais antigo do que qualquer computador. Vem do início da imprensa. E existe, sim, um padrão para se medir tamanho de letras. E um equipamento, chamado tipômetro (que, ao que parece, não é muito comum no Brasil). De qualquer forma, é de se concluir que, para medir o tamanho de uma fonte em um contrato, tenha que se usar essa espécie de régua sobre o que está impresso no papel. Por mais que não se tenha pensado nisso na hora de redigir a lei. Em segundo lugar, o que quase ninguém falou é que a fonte tamanho 12 agora é obrigatória nos contratos de adesão (num resumo bem grosseiro, aqueles que já vem prontos e cabe a você apenas escolher entre assinar ou não). E só neles.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Apple banindo aplicativos concorrentes para iPhone

A Apple, aquela empresa conhecida por fazer produtos bacanas e cuja devoção de muitos atinge níveis de religiosidade, consegue às vezes cometer deslizes que chegam à beira do absurdo. Se recusar a vender na App Store aplicativos que têm as mesmas funções que alguns originais do iPhone é um desses casos. Aconteceu com Alex Sokirynsky, que fez um tal Podcaster, recusado na App Store porque continha funções que duplicavam a seção Podcast do iTunes. E com Angelo DiNardi, que fez o MailWranger, negado porque tinha funções similares ao Mail. Em ambos os casos, os programas tinham também outras características originais e bastante úteis, mas que não foram suficientes para fazerem os aplicativos passarem no super controle da maçã. O primeiro permitia o streaming e download de podcasts via wifi, e o streaming pela rede de celular - coisa que o iTunes não faz no iPhone -, enquanto o último permitia acessar várias contas diferentes do Gmail sem precisar deslogar e logar de novo manualmente - o que o Mail não faz. A coisa não anda repercutindo bem por aí. Inclusive em blogs bem respeitados:

A Apple deveria estar tratando seus desenvolvedores como reis. São esses caras que vão fazer do iPhone a plataforma do futuro (webmonkey - wired) Tratar os desenvolvedores arbitrariamente vai com mais certeza desencorajá-los de passar noites e fins de semana trabalhando em aplicações novas e úteis (bits - ny times)
Tudo bem, é direito deles e tudo mais. Mas será que tem alguma explicação realmente plausível pra isso? Acho que não.